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Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária e pressão por impeachment
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CNN -
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise bancária e à pressão política por um processo de impeachment. A decisão ocorreu após o fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos e provocou instabilidade no sistema financeiro do país.
Economista e representante do Partido Colorado, Peña assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. Ele passou a enfrentar fortes críticas após denúncias de possível conflito de interesses, uma vez que foi acionista do grupo proprietário da instituição financeira até março de 2025.
Em pronunciamento divulgado em vídeo, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. O ex-presidente também pediu desculpas aos paraguaios prejudicados pela crise.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou.
A renúncia aconteceu justamente no dia em que o Congresso paraguaio iniciou uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment. Segundo as informações divulgadas, todas as bancadas da Câmara dos Deputados haviam anunciado apoio à abertura do processo.
Crise no banco Ueno
A crise começou após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação do Ueno, na terça-feira (3). A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.
O Ueno integrava o Grupo Vázquez e possuía aproximadamente três milhões de clientes, além de concentrar cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e possível desvio de recursos previdenciários. Também aponta suspeitas de que o Banco Central teria encoberto irregularidades relacionadas à instituição.
As investigações avançaram nos últimos dias. Executivos do banco se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas à instituição. A Justiça determinou ainda o bloqueio dos bens dos investigados.
Vice deverá assumir
Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país. Ele também enfrentava questionamentos políticos, mas um pedido de impeachment contra seu nome havia sido rejeitado pela Câmara dos Deputados.
A crise provocou preocupação entre os correntistas e aumentou a procura por outras instituições financeiras. A Associação de Bancos do Paraguai informou que o sistema bancário continuava operando normalmente, apesar do grande volume de clientes que buscavam transferir suas contas.
Peña também afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça e pediu que os setores políticos priorizem os interesses dos poupadores. Uma lei foi promulgada para acelerar a devolução dos valores aos clientes prejudicados.
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