NEGÓCIOS

Comércio deve movimentar R$ 5,4 bilhões na Black Friday, prevê CNC

  • © Paulo Pinto/Agência Brasil -

A Black Friday deste ano deve gerar um volume recorde de R$ 5,4 bilhões no comércio brasileiro, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. A estimativa considera todo o movimento ao longo de novembro, característica típica da versão brasileira do evento.

A data, marcada oficialmente para a próxima sexta-feira (28), já é a quinta mais importante para o varejo nacional, ficando atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.


Setores com maior expectativa de vendas

De acordo com a CNC, os segmentos que devem registrar os maiores volumes de faturamento são:


  • Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
  • Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
  • Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
  • Vestuário, calçados e acessórios: R$ 950 milhões
  • Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 380 milhões
  • Livrarias, papelarias, informática e comunicação: R$ 360 milhões


Cenário econômico estimula consumo

Entre os fatores que favorecem o desempenho do comércio estão a desvalorização do dólar, que barateia produtos importados, a desaceleração da inflação e o aumento do emprego e da renda. A taxa de desemprego no país atingiu 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE, em 2002.

Por outro lado, juros elevados e o alto índice de endividamento das famílias limitam um avanço maior. O Banco Central aponta taxa média anual de 58,3% para o crédito livre destinado a pessoas físicas, maior patamar para esta época do ano desde 2017. Já a CNC calcula que 30,5% das famílias estão com contas em atraso. A concorrência com plataformas internacionais de vendas também pode reduzir a fatia do varejo nacional.


Descontos já em queda

A CNC monitorou diariamente 150 produtos de 30 categorias para avaliar o comportamento dos preços. O estudo indica que 70% das categorias apresentam forte potencial de desconto, com tendência de queda superior a 5%.

As maiores reduções médias observadas são:


  • Papelaria: 10,14%
  • Livros: 9,02%
  • Joias e bijuterias: 9,01%
  • Perfumaria: 8,20%
  • Utilidades domésticas: 8,18%
  • Higiene pessoal: 8,11%
  • Moda: 7,82%


Black Friday no Brasil

Inspirada na liquidação pós-Ação de Graças nos Estados Unidos, a Black Friday chegou ao Brasil em 2010, movimentando R$ 1,52 bilhão na época. No início, apenas segmentos como móveis, eletrodomésticos e papelarias participavam, número que hoje se expandiu para praticamente todo o varejo.


Cuidados ao comprar

Com o aumento das promoções, também cresce o risco de golpes. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) orienta que consumidores fiquem atentos a preços inflados, chequem a reputação das lojas e verifiquem políticas de entrega e reembolso. Compras on-line têm direito a arrependimento em até sete dias.

Outras recomendações incluem priorizar sites seguros, denunciar práticas enganosas no Procon ou no consumidor.gov.br e desconfiar de ofertas excessivas.


Golpes com uso de inteligência artificial

Pesquisa do Reclame Aqui mostra que 63% dos consumidores têm dificuldade em identificar golpes produzidos com IA. Especialistas alertam para sinais como vídeos com falhas de sincronia, vozes artificiais, uso indevido de celebridades, textos excessivamente formais, perfis falsos e imagens com distorções — indícios comuns de manipulação digital.

O alerta vale especialmente para anúncios promocionais, que tendem a aumentar durante a Black Friday.

© Paulo Pinto/Agência Brasil


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